A curiosidade é um dos
principais instintos humanos. Ela nos inquieta a buscar respostas para aquilo
que parece estar além do nosso alcance e nos instiga a entender melhor aquilo
que é parte de nossa realidade mas poderia representar algo mais. E ela está
presente em toda a nossa vida, desde os olhares deslumbrados de um bebê,
vislumbrando as cores e formas do mundo ao seu redor, passando pelos infinitos
“porquês” da criança que começa a entender que os limites dos sentido podem (e
devem) ser desafiados, chegando ao adulto que compreende que o que ele sabe não
é suficiente para explicar a vida.
E, afinal, o que mais nos
aguça a curiosidade do que a vida? Esse fenômeno que ocorre dentro de nós e
cujos limites não podemos definir? Se dizem que definir é limitar, um exemplo
clássico é evidenciado pela nossa incapacidade em definir a vida: ninguém sabe ou
concorda em que parte “limitar” para se construir um conceito comum.
Se a vida por si só estimula
tanto nossa curiosidade, seria lógico pensar que aqueles que dedicam sua vida
ao estudo da vida (com os perdões das repetições) seriam grandes curiosos.
Talvez seja assim que nasça
um bom professor de Biologia. Alguém que deixa seu amor pela vida ser
transformado em curiosidade e questionamento e que leve seus alunos ao mesmo
processo de descoberta e reconstrução da realidade.
Não existe relação de amor
saudável sem se incluir respeito. A mesma lógica se aplica às Ciências
Biológicas: de que adianta um discurso belo e intenções nobres se não se gera
atitudes práticas que refletem o respeito pela vida em toda sua diversidade? O
bom professor de Biologia é aquele que ensina sobre os processos da vida e leva
o aluno a reconhecê-los em todos os organismos, demonstrando sua importância
para o meio e para nós mesmos.
Respeito gera atenção. Não
há como se ter respeito por algo que não se conhece. E conhecer implica em
observar, se prender tanto no geral quanto nos detalhes. O bom professor de
Biologia dá atenção a seus alunos e os ensina a ter atenção ao que acontece
dentro deles, entre eles e ao seu redor.
E atenção também aguça a
curiosidade. Pois, quanto mais se observa e conhece, mais se percebe que há um
mundo novo a ser descoberto, estudado e admirado.
Por que é tão desafiador ser
um bom professor de Biologia? O que acontece entre o amor pela vida e o amor
pelo ensino que leva alguns a caminhos desastrosos que acabam gerando indiferença
ao invés de inspirar admiração nos alunos? Talvez essas sejam perguntas
difíceis demais para uma simples abordagem de um grupo de aspirantes a
professores. Então, o que podemos concluir?
O bom professor de Biologia
é aquele que ama ensinar sobre a vida.