domingo, 2 de outubro de 2011

O outro lado do Livro Didático

     Dentro do estudar para ser professor, nós (ainda alunos) nos deparamos com atividades das mais intrigantes. Você já se perguntou como será que os livros que estudamos vão parar nas escolas? Pois é, existe todo um processo por trás disso, indo desde a produção do livro pela editora, passando pela inscrição dessa editora em um edital do governo, que faz uma avaliação dos livros e produz um guia, onde as escolas podem escolher os livros que lhe interessam e fazer o pedido às editoras. Esse processo ocorre de acordo com o PNLD – Programa Nacional do Livro Didático. Dessa forma, há um controle de qualidade do material utilizado.
     Talvez um dos pontos mais importantes desse processo seja a Avaliação. Ela é feita baseada no parecer de diversos avaliadores que analisam diferentes livros didáticos utilizando os mesmo parâmetros, que incluem desde o cuidado com a edição e legibilidade dos textos até a preocupação em transmitir o conhecimento científico correto e contribuir para a formação cidadã do aluno.
     Diante disso, nos foi proposta uma atividade: analisar, segundo os critérios dos PNLDs um livro de biologia do segundo grau, de preferência que compusessem com maior freqüência a lista de materiais didáticos das escolas (sejam elas públicas ou privadas) do nosso estado. Assim, cada um de nós do Lado B – onde a vida é mais verde, construímos um parecer sobre a nossa avaliação:

Mariana e Rafael: Primeiramente partimos da escolha por um livro que tivesse próximo à nossa realidade quanto alunos do ensino médio. Assim escolhemos o clássico BIO –volume 3 – Genética, evolução ecologia da bióloga Sônia Lopes, sendo a 1ª edição da obra e a sua 1ª tiragem, no caso ano de 2002. Observamos um cuidado muito especial na obra pelo teor científico, não é a toa que a obra é sempre compositora das bibliografias recomendadas para os vestibulares de todo o país. Entretanto, ao realizar a avaliação, atentamos para o fato de que nenhuma obra de cunho didático possua um caráter estático. A ciência se renova a todo o momento, bem como os saberes que tangem essa área do conhecimento. Mesmo sendo um dos livros mais bem estruturados na área do ensino em biologia e abordados quanto material didático nas escolas, encontramos diversas falhas, ainda que simples no que se refere algumas imagens não condizentes com a realidade social do aluno, erros ortográficos, diagramação, bibliografia inconsistente, etc. Mas destaca-se na proposta de atividades pedagógicas interativas que contribuem para a ampliação e aplicação do assunto aprendido pelo aluno na realidade a sua volta, respeitando o caráter laico e teor informativo/ descritivo do texto, não impondo em momento algum um posicionamento em relação a questões polêmicas.

Andréia: Outro clássico da Biologia no Ensino Médio são os livros de Amabis & Martho. Tanto os volumes 1, 2 (que foi o analisado nesse trabalho) e 3 quanto o volume único são sempre citados como livros que ultrapassam as expectativas de um livro comum de escola, fazendo a transposição dos conhecimentos acadêmicos para os conhecimentos escolares de forma justa e criativa. Foi muito interessante avaliar um livro a partir de pareceres nacionais, e muito do que já sabemos foi confirmado: o livro é excelente em quesitos visuais, tanto em figuras e fotografias quanto em esquemas e diagramação. Analisando assuntos polêmicos dentro do meio biológico (ex.: se vírus são ou não considerados organismos vivos), os autores foram muito felizes em seus comentários, transmitindo a importância de discussões para o progresso da ciência e sem impor suas posições pessoais. Uma das poucas críticas que posso fazer é a falta de ênfase em assuntos mais “brasileiros”, como a Biopirataria ou a extinção da nossa fauna nacional, assuntos que contribuem para a construção do caráter social do aluno. O livro é muito bom para vários perfis de aluno, intrigando e cativando aquele que vê a Biologia como mais uma matéria escolas, passando por aquele que gosta da Biologia como hobbie e está em busca de curiosidades até aquele que são (assim como nós éramos) deslumbrados com essa ciência fantástica e vêem nela um objetivo de vida!

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